O Chico, desde pequenininho, sempre foi muito amoroso. Percebo, cada vez mais em nossa convivência, que para ele é essencial que o contato com o outro seja vivido na intensidade que a proximidade provoca. Intensidade física, intensidade verbal.
Adora abraçar e beijar, e de dormir bem agarradinho. Gosta de brincar de "lutinha" com o pai e amigos. Generoso, sempre oferece o que está comendo aos outros, e sempre diz coisas amorosas pras pessoas de quem gosta.
Hoje resolvi registrar dois destes instantes, cheios de intensidade e espontaneidade:
(cheirando a minha pele): - Mamãe, você é a minha flor.
Ao me ver depois de chegar do trabalho hoje: - Eu amo muito você mamãe. (seguido de um beijo BEM molhado e um abraço BEM apertado).
Que prazer que é ter você pertinho de mim meu amoreco.
Escrevo pra registrar, seu amor, e meu amor por você.
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terça-feira, 11 de janeiro de 2011
sábado, 10 de abril de 2010
Rua Bruno Simoni, 161
Dia 30 de Dezembro de 2009, seu pai e eu passamos o dia inteiro acompanhando a mudança. Eram móveis e objetos sendo colocados em milhares de caixas, que eram carregadas por homens muito fortes até um caminhão estacionado logo a frente de casa. Em poucas horas, tudo que preenchia aquela casa foi levado embora, e sentimos na alma aquele vazio que testemunhávamos logo a nossa frente. Uma casa não é feita de paredes, é feita de objetos.
Dia 31 de Dezembro, seu pai e eu passamos a tarde toda fazendo uma última faxina na casinha. Tanto ele quanto eu sentimos um forte desejo de nos despedir daquela casinha que nos acolheu, nos primeiros passos que demos juntos na vida, e que, não podendo deixar de ser de tão especial que era, também te recebeu tão bem naquela noite fria de Junho.
Incrível, mas nós nunca conseguimos arrumá-la exatamente como gostaríamos. Ela não permitiu que fincássemos nossas raízes por lá completamente. Pra mim, ela ficou sendo a morada dos começos e recomeços. Seu novo dono certamente concorda comigo. Ela existiu para ser a casa onde você nasceu, e generosa como toda casa deve ser, nos deu o tempo certo de trégua para que você, e nós, pudéssemos caminhar e seguir adiante.
Neste ano, nos despedimos da casinha e da Noemia. A alma de uma e da outra ficaram tão embrenhadas, que não existiu casinha sem Noemia. Faxinar uma casa transforma a alma da casa, ela ganha as qualidades daquele que investe nela com músculo e suor. Mesmo depois de sua partida, a presença forte de Noemia era sentida nos cantos ermos da casa, onde achávamos seus botões, sua sacola de meias sem par, sua muda de roupa. É com muitas saudades e enorme respeito a elas, que seu pai e eu limpamos pela última vez a nossa casinha.


quarta-feira, 9 de setembro de 2009
Preenchendo vazios - imagem de Jesus e Maria
Oi filhote,

Re-li meu post anterior, fiz algmas revisões... e viva a escrita! Que nos dá a possibilidade de construir e desconstruir e reconstruir, formar e reformar aquilo que já foi. Eu realmente adoro escrever...e estou gestando a idéia de fazer um blog meu. Quem sabe dentro em breve...
Mas resolvi adicionar este post, porque ao reler meu post anterior, me deu vontade de acrescentar uma imagem, não sei porque, da Maria e do pequeno Jesus, que são, juntos, uma imagem forte da relação mãe filho mesmo... só pra não ficar este vazio de imagem, olha só o que eu achei:

Achei que esta imagem mostra bem os dois em conexão, não é?
E eu ligadona na Bíblia...o que que tá pegando meu Deus!
quarta-feira, 2 de setembro de 2009
...sobre o ser mãe
Que difícil que é saber ao certo como educar. Hoje fiquei pensando sobre o que seja educar um filho, ou em outras palavras, e mais essencialmente, como é que me coloco diante de você para me comunicar efetivamente. Você hoje deu um show de manhã pra por roupa, e eu, depois de muito tentar convencê-lo, resolvi colocá-lo no castigo. A verdade é que não funcionou, você se fechou mais ainda pra qualquer comunicação, e eu, pra pensar em uma forma de te fazer entender que precisávamos sair...
Na verdade, ser mãe é que é difícil demais. Como chegar no ponto ótimo e me fazer entender e ao mesmo tempo tentar entendê-lo? Talvez isto seja um ranço meu de psicóloga, mas a verdade é que não consigo não me fazer esta pergunta. Talvez seja mais fácil do que eu imagino, talvez, a saída para alguns seja óbvia, simples e familiar, mas para mim, neste momento não é (grito!!!). E isto tudo me faz pensar nas relações, e também em como é delicado e complexo tomar decisões, porque tomar decisões implica ter que definir, o que é "bom", ou na pior das hipóteses da confusão toda, "melhor" para todos. Este "melhor para todos" é que causa o imbroglio, porque, será que estou realmente te ouvindo, ou até, será que possuo o melhor repertório para resolver o assunto? É uma lama na verdade, mas o duro é que é preciso definir, e esta definição implica talvez, me cegar para o que você sente, deseja ou até precisa de mim.
Culpa, maldito sentimento que nós mães inevitavelmente sentimos. É responsabiliade demais, porque a gente sempre foi e sempre será ligado a vocês e ao seu destino. E tudo que você experienciar, remete a nós enquanto genitoras, matrizes e nutrizes (ou assim a gente segue se enganando...). O seu sofrimento é a nossa falha, e é mais forte que nós nos sentirmos no dever de impedir a sua dor.
Olha filho, a mamãe certamente tomou, toma e tomará decisões ruins, mas acredite, a intenção é sempre amorosa. Me perdoe pelas confusões e pela incompreensão. Tem uma frase bíblica, proferida por Jesus (na cruz!):
Pai, perdoa-lhes, pois eles não sabem o que fazem...
E eu aqui apelando pra Bíblia... falei de culpa, não falei?
Na verdade, ser mãe é que é difícil demais. Como chegar no ponto ótimo e me fazer entender e ao mesmo tempo tentar entendê-lo? Talvez isto seja um ranço meu de psicóloga, mas a verdade é que não consigo não me fazer esta pergunta. Talvez seja mais fácil do que eu imagino, talvez, a saída para alguns seja óbvia, simples e familiar, mas para mim, neste momento não é (grito!!!). E isto tudo me faz pensar nas relações, e também em como é delicado e complexo tomar decisões, porque tomar decisões implica ter que definir, o que é "bom", ou na pior das hipóteses da confusão toda, "melhor" para todos. Este "melhor para todos" é que causa o imbroglio, porque, será que estou realmente te ouvindo, ou até, será que possuo o melhor repertório para resolver o assunto? É uma lama na verdade, mas o duro é que é preciso definir, e esta definição implica talvez, me cegar para o que você sente, deseja ou até precisa de mim.
Culpa, maldito sentimento que nós mães inevitavelmente sentimos. É responsabiliade demais, porque a gente sempre foi e sempre será ligado a vocês e ao seu destino. E tudo que você experienciar, remete a nós enquanto genitoras, matrizes e nutrizes (ou assim a gente segue se enganando...). O seu sofrimento é a nossa falha, e é mais forte que nós nos sentirmos no dever de impedir a sua dor.
Olha filho, a mamãe certamente tomou, toma e tomará decisões ruins, mas acredite, a intenção é sempre amorosa. Me perdoe pelas confusões e pela incompreensão. Tem uma frase bíblica, proferida por Jesus (na cruz!):
Pai, perdoa-lhes, pois eles não sabem o que fazem...
E eu aqui apelando pra Bíblia... falei de culpa, não falei?
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